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NICE TO MEET YOU

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A noite chegava de mansinho, idêntica ao cinzento amanhecer da cidade. Veronica passeava pelas ruas com o pensamento longe, enquanto o refrão aborrecido de uma música se repetia tanto em sua cabeça que a fazia cantar quase sem querer. Algo como “Você me amou e eu congelei no tempo”, ou mais ou menos assim. Usava roupas escuras, jeans e regata preta, com um casaco amarrado na cintura. Seus coturnos pesados emitiam um baque surdo contra o concreto e suas inúmeras pulseiras de metal tilintavam ao vento. Ela cruzou os braços, arrepiando-se com o vento gelado e olhou para o céu. Estava quase na hora de voltar para casa, seus irmãos deviam estar preocupados, ela nunca passara tanto tempo longe. Mas depois da briga que teve com Mike, Veronica não estava nem um pouco afim de voltar cedo. Desde o início ela soube que aceitar o garoto viciado em cocaína no grupo não era uma boa ideia. Dito e feito. Mike não largara as drogas como prometera e agora comprometia a segurança do grupo tentando influenciar os mais novos a irem pelo mesmo caminho. Mas isso Veronica não ia deixar.

Uma brisa gelada soprou seus cabelos. O céu ameaçava chuva. Logo alguns pingos começaram a cair e Veronica achou melhor dar um tempo em algum lugar, preferencialmente protegido da chuva. Avistou o letreiro luminoso de um diner alguns metros adiante e correu até lá, usando o casaco para se proteger. Empurrou a porta de vidro e um sino tocou, anunciando sua entrada. Veronica secou os braços e, embora não tivesse a intenção de comer nada, sentou-se na mesa mais afastada da lanchonete e pegou o cardápio que escondia quase todo o seu rosto, exceto os olhos. Enquanto fingia escolher alguma coisa para comer, ela pôs-se a observar os outros fregueses. Entre eles, um em especial lhe chamou a atenção. Era um rapaz mais ou menos da idade dela, de pele morena e cabelos ligeiramente grandes, e muito, muito bonito. Veronica o encarou por um período considerável de tempo, até desviar o olhar quando ele percebeu. Depois olhou novamente, dessa vez mais discreta e sorriu involuntariamente quando percebeu que ele fazia o mesmo.

Já estava escuro quando Lucian McKenzie resolveu olhar para o céu. Não havia sinal de estrelas ou sequer da lua. Foi quando viu um relâmpago iluminar o céu. Quando era pequeno, costumava ter medo de tempestades e do barulho emitido pelos trovões. Se lembra muito bem de correr para o quarto do tio e se enfiar debaixo dos cobertores, como se eles fossem capazes de protegê-lo de qualquer coisa. Por isso se sentiu completamente indefeso quando o tio, que trabalhava em uma loja de conveniências foi assassinado em um assalto. Ele engoliu seco com a lembrança. Logo que sentiu um pingo em seu rosto, começou a andar mais depressa.

E mesmo assim ele não conseguiu escapar da maldita chuva. Enquanto as gotas caíam com uma frequência maior, os coturnos batiam no asfalto com uma frequência bem maior, pois agora o rapaz corria. Estava longe de casa e só conseguiu pensar em um único lugar para se abrigar até que a chuva passasse, ou ao menos diminuísse: o diner bastante frequentado por ele e seus amigos quando estavam por aqueles lados. A única diferença era que estava sozinho, pois se recusara a participar do que quer que fosse que os Day Trotters fossem fazer naquela noite. Lucky já tivera confusões demais naquela semana, já que quase foi pego por um policial por, supostamente, estar pichando muros.

Empurrou a porta escutando o familiar barulho do sino anunciando sua chegada. O jovem tirou um lenço de um dos bolsos de trás dos jeans surrados que vestia para secar seu rosto. Os cabelos relativamente longos estavam úmidos assim como a camiseta preta, estampada com a logo de uma banda trash qualquer, que usava por baixo da jaqueta de couro.

Inicialmente ele se sentou em uma das banquetas dispostas em frente ao balcão. A balconista berrou o pedido de Lucian para a garçonete que passava em direção à cozinha, mesmo sem o rapaz não ter falado uma palavra sequer. Permaneceu ali por algum tempo, com a constante sensação de que estava sendo observado. Quando olhou para o lado, percebeu que um par de olhos azul-esverdeados o encaravam. Ela desviou o olhar imediatamente, e McKenzie se limitou a sorrir.

Sua atenção foi roubada por seu pedido sendo colocado sobre o balcão. Sem pensar muito, pegou a bandeja e caminhou em direção àquela mesa mais afastada da lanchonete. Aquela em que estava a dona daqueles olhos que logo o cativaram. — Posso me sentar aqui? O lugar está lotado. — Era uma mentira evidente, uma vez que o diner estava praticamente vazio e havia várias mesas vazias.

Posted May 5, 2014 with 2 notes